Poeta americano, nascido em 1934.
Arrastas a escravidão até à velhice
e nada que faças te vale de muito.
Dia após dia passas pelos mesmos
gestos
tremes na cama, tens fome, desejas
uma mulher.
Heróis representando vidas de
sacrifício e obediência
enchem os parques por onde
caminhas.
À noite, no nevoeiro, abrem as
umbrelas de bronze
ou então refugiam-se nos vestíbulos
vazios dos cinemas.
Amas a noite pelo seu poder de
destruição,
mas enquanto dormes, os teus
problemas irão morrer.
Acordar só prova a existência da
Grande Máquina
e a luz árdua cai nos teus ombros.
Caminhas entre os mortos e falas
de tempos por vir a assuntos do
espírito.
A literatura fez-te desperdiçar as
melhores horas de amor.
Fins-de-semana perdidos, a limpar a
casa.
De pronto confessas o teu fracasso
e adias
a alegria colectiva para o próximo
século. Aceitas
a chuva, a guerra, o desemprego e a
distribuição injusta da riqueza
porque não podes, sozinho, rebentar
a ilha de Manhattan.
